

As lembranças boas, guarde. As ruins, esqueça. E as mais especiais, recorde.

“Isso tudo está consumindo minha felicidade constantemente, e não sei mais o que devo fazer. Simplesmente estou cansada de tanta rejeição, estou cansada de ser tratada com tamanha arrogância. É como se eu não tivesse utilidade, como se eu não fosse uma pessoa que pode ser facilmente aceita pelo mundo, que deveria deixar de existir de imediato. Me agridem com palavras chulas e ferozes, sem motivo algum. Não consigo simplesmente ignorar isso, não consigo fazer com que entre por um ouvido e saia por o outro. Tudo isso fica em minha mente, se repetindo a cada segundo. Dando replay sem a minha permissão, me atormentando a cada fração de segundo, e me deixando cada vez mais melancólica e sem emoções. Gostaria realmente de me mostrar impassível diante de tal situação, mas não consigo de forma alguma. Já suportei muito, e não posso atuar como forte por mais tempo. Eu teria de desabar a qualquer momento, e bem, este chegou. Eu estou tão cansada disso tudo! Tão cansada de ser importunada com tanto desprezo, de ser tão mal tratada, de ser tão indesejada. Não posso nem me exasperar diante disso, não posso esbravejar com bravura, pois sei que seria rotulada como vândala, como uma insana. E então, apenas dou o meu arquejo cheio de desespero ao ouvir cada insulto, e me virar para esconder as lágrimas fieis, sempre presentes após cada situação como essa. Bem que eu gostaria de me sobressair com um tempo, de dar a volta por cima, de sair dessa maré de arrogância e hipocrisia, mas não sei se consigo, não sei se ainda tenho forças. Minha maior vontade, a que supera todas as outras, e desistir e desabar pêsames amargos sem importância. Eu só queria ajuda, eu só queria alguém que me socorresse. Porém, ninguém se importa, afinal. Passei a vida aprendendo a ser cada vez mais fria, cada dia mais importunada. Sugando do mundo em mim a hipocrisia existente, lamentável. Queria eu poder dizer que passei a vida sorrindo, mas a minha época passou. E pensar que quando eu era menor, queria ser “gente grande”, mera mentira, doce ilusão, percebi hoje que a melhor época foi aquela. Sou ainda fraca, mas por fora ninguém avista tal fraqueza, apenas eu mesma. Talvez seja por isso que me acho tão fraca diante a todos, por me conhecer bem demais, talvez dentro de toda pessoa exista um medo, talvez elas chorem escondidas também, talvez sejam somente máscaras. Felicidade falsa, pode ser este o novo sobrenome da vida, hipocrisia, falsidade. Queria eu partir para um lugar melhor, mas sem o mal seria inexistente o bem. Sem o choro seriam em vão todos os sorrisos. A vida é mesmo uma peça de quebra cabeça, onde somente os mais fortes e pacientes irão sobreviver, onde apenas os mais frios e capazes serão considerados imbatíveis. Queria eu poder viver em fim, porém, a vida agora só me deixa espaço para apenas desejar ficar de pé e jamais cair.”
nostalgia-insana e r-ejeitada